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Produtores de cacau da Bahia vivem um cenário de forte preocupação devido à queda acentuada dos preços da amêndoa no mercado. Em municípios do sul do estado, como Itajuípe, agricultores relatam que a situação se agravou especialmente no início do ano, período em que a colheita é naturalmente menor. Na propriedade de seu Daniel e de seu filho Danilo, a chamada “arroba” do cacau chegou a ser vendida por cerca de R$ 150, valor muito inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior, quando o preço alcançava aproximadamente R$ 900. Essa redução drástica inviabilizou parte da produção, levando à diminuição da mão de obra contratada e à colheita parcial dos frutos, já que o custo de produção supera a receita obtida.
A crise de preços não é um caso isolado e tem gerado mobilização entre os produtores da região. Agricultores afirmam que a desvalorização está associada ao aumento da importação de cacau, principalmente de países africanos, o que teria ampliado a oferta no mercado interno e pressionado os preços para baixo. Em resposta, ocorreram manifestações em cidades como Ilhéus e bloqueios de rodovias, incluindo trechos da BR-101 em Ibirapitanga, como forma de protesto. Diante da pressão do setor, o Ministério da Agricultura determinou a suspensão temporária da importação de amêndoas de cacau provenientes da Costa do Marfim, alegando também preocupações fitossanitárias relacionadas ao risco de pragas e doenças. Os produtores, no entanto, defendem que a medida deveria ser permanente, argumentando que isso protegeria a produção nacional e garantiria maior valorização do cacau brasileiro.
Por outro lado, entidades representativas da indústria processadora de cacau manifestam preocupação com as restrições às importações, destacando que o preço da commodity é definido no mercado internacional, com base na oferta e na demanda global. Segundo análises econômicas, o cacau havia alcançado preços recordes em 2024 devido à expectativa de queda na produção africana, especialmente na Costa do Marfim e em Gana, o que reduziu a oferta e elevou as cotações. No entanto, com a recuperação da produção nesses países e a redução das compras por parte da indústria, o cenário se inverteu, resultando em uma queda expressiva nos preços. Em fevereiro, as cotações internacionais do cacau já acumulavam recuo de quase 53% no ano, refletindo a alta volatilidade típica das commodities e a instabilidade do mercado global, que ainda deve enfrentar ajustes no médio prazo.

