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O preço da carne bovina voltou a subir no Brasil e já provoca impacto no orçamento das famílias e no setor de abastecimento. O valor da arroba do boi gordo, que representa o animal pronto para o abate, atingiu o maior patamar da série histórica iniciada em 1997, ultrapassando os 70 dólares, o equivalente a mais de 360 reais. Especialistas explicam que a alta é resultado da combinação entre redução da oferta de animais no campo e aumento da demanda tanto no mercado interno quanto no exterior. O crescimento das exportações de carne brasileira para países da Ásia, Oriente Médio e outras regiões ampliou a procura pelo produto, enquanto a disponibilidade de gado diminuiu neste início de ano. Além disso, a recuperação parcial da renda da população brasileira em 2025 e no começo de 2026 também contribuiu para o aumento do consumo interno. Como consequência, frigoríficos, açougues e supermercados passaram a pagar mais caro pela matéria-prima, elevando os preços repassados ao consumidor final. O aumento ocorre em toda a cadeia produtiva, desde os produtores rurais até os pontos de venda, afetando diretamente o custo dos alimentos no país.
Representantes do setor frigorífico afirmam que o valor pago aos fornecedores subiu até 25% nos últimos seis meses, pressionando os custos de produção e reduzindo as margens de lucro das empresas. Além da valorização da arroba, fatores internacionais também influenciam o mercado da carne bovina. Conflitos geopolíticos e tensões em rotas marítimas elevaram os custos do transporte internacional e aumentaram o tempo de entrega das exportações brasileiras. Segundo empresários do setor, o fechamento parcial de passagens marítimas estratégicas e o aumento do frete internacional geram incertezas e tornam a logística mais cara. Enquanto isso, consumidores já percebem a alta diretamente nos açougues. Cortes tradicionais, como a alcatra, registraram aumentos superiores à inflação em apenas um mês. Diante desse cenário, muitas famílias passaram a substituir cortes nobres por opções mais baratas, como carnes de segunda, frango e outros produtos considerados mais acessíveis. Especialistas afirmam que a mudança de hábitos de consumo se tornou uma alternativa para tentar equilibrar o orçamento doméstico diante da elevação contínua dos preços dos alimentos.
Analistas do mercado agropecuário não acreditam em uma redução significativa dos preços da carne bovina no curto prazo. Segundo especialistas, a forte demanda internacional levou ao aumento do número de abates nos últimos anos, incluindo novilhas e fêmeas que normalmente seriam mantidas para reprodução. Essa prática reduz a capacidade de reposição do rebanho e provoca escassez de animais disponíveis para abate no médio prazo. Como resultado, a oferta tende a continuar limitada, mantendo os preços elevados nos próximos meses. Em muitas famílias brasileiras, o consumo de carne bovina já se tornou mais restrito, sendo reservado apenas para ocasiões especiais. Consumidores relatam dificuldade para manter hábitos alimentares anteriores devido ao aumento constante dos preços nos supermercados e açougues. Especialistas alertam que o cenário reforça a necessidade de equilíbrio entre exportações, abastecimento interno e planejamento da produção pecuária, para evitar impactos prolongados no custo da alimentação e no poder de compra da população brasileira.

