MWM MWMW MWM MWMWMW, 19 de Março
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O Instituto Trata Brasil divulgou um estudo que evidencia o atraso do país no cumprimento das metas de universalização do saneamento básico, previstas no novo marco legal aprovado em 2020, que estabelece o ano de 2033 como prazo final. De acordo com os dados apresentados, cerca de 90 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à coleta de esgoto, o que representa quase metade da população. Além disso, aproximadamente 30 milhões de pessoas vivem sem acesso à água potável. A análise foi realizada com base nas 100 cidades mais populosas do país e revela que, apesar de avanços pontuais, a evolução do acesso aos serviços de saneamento ocorre de maneira lenta e desigual, comprometendo a qualidade de vida de milhões de cidadãos.



A situação é agravada pelo fato de que, mesmo em localidades onde existe rede de coleta, nem todo o esgoto é devidamente tratado. Em diversas regiões, ainda são comuns casos de esgoto a céu aberto, o que provoca transtornos à população, especialmente em períodos de chuva ou altas temperaturas. O estudo aponta que, enquanto os 20 municípios mais bem posicionados conseguem coletar até 98% do esgoto gerado, os 20 piores não alcançam sequer 30%. A ausência de saneamento básico adequado está diretamente relacionada ao aumento de doenças como diarreia, dengue e hepatite, além de impactar negativamente o desenvolvimento infantil, a produtividade da população adulta e o crescimento econômico das localidades. Também foram identificadas oscilações no ranking entre cidades, com quedas significativas em algumas capitais e avanços em outras, ainda que muitas permaneçam com desafios estruturais relevantes.

Outro ponto destacado pelo levantamento é o baixo nível de investimento no setor. Mais da metade dos municípios brasileiros aplica menos de R$ 100 por habitante em saneamento, valor considerado insuficiente diante da estimativa de R$ 225 por pessoa indicada pelo Plano Nacional de Saneamento Básico para alcançar a universalização. O estudo também evidencia uma forte desigualdade regional, com a maioria dos melhores índices concentrados nas regiões Sul e Sudeste, enquanto os piores resultados predominam no Norte e Nordeste. Diante desse cenário, especialistas defendem que o saneamento básico deve ser tratado como uma política de Estado contínua, com planejamento de longo prazo e execução coordenada entre diferentes governos. Autoridades e concessionárias informaram que há iniciativas em andamento para ampliar a cobertura e melhorar os serviços, mas reconhecem que ainda há um longo caminho a ser percorrido para garantir acesso universal à água tratada e ao esgotamento sanitário no país.