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Médicos e engenheiros brasileiros desenvolveram um projeto inovador que utiliza inteligência artificial para identificar sinais de dor em recém-nascidos internados em unidades de terapia intensiva. O principal desafio enfrentado pelos profissionais de saúde é que bebês, especialmente prematuros, ainda não possuem capacidade de se comunicar verbalmente, o que dificulta a identificação da intensidade e do tipo de desconforto que estão sentindo. Atualmente, hospitais de diversos países utilizam uma escala internacional conhecida como NFCS, baseada na observação das expressões faciais dos recém-nascidos. Movimentos como boca muito aberta ou tensionada, tremores no queixo, testa contraída e língua projetada para fora são alguns dos sinais analisados pelos especialistas. Além das expressões faciais, médicos também observam indicadores fisiológicos, como frequência cardíaca, temperatura corporal e pressão arterial. A combinação dessas informações ajuda os profissionais a determinar se o bebê está sentindo dor e qual intervenção médica pode ser necessária para aliviar o sofrimento da criança durante o tratamento hospitalar.
Com o objetivo de tornar essa avaliação mais precisa, pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo e engenheiros da Faculdade de Engenharia Industrial de São Bernardo do Campo iniciaram, em 2015, um estudo para aperfeiçoar a identificação da dor em recém-nascidos por meio de tecnologia. Durante quase dois anos, câmeras instaladas em incubadoras registraram aproximadamente 300 horas de imagens de bebês internados em tratamento intensivo. Todo esse material foi transformado em um grande banco de dados utilizado para treinar um programa de inteligência artificial capaz de reconhecer padrões faciais relacionados à dor. Os pesquisadores alimentaram o sistema com informações específicas para que o modelo aprendesse a identificar características como movimentação da boca, alterações nas expressões do rosto e outras reações físicas associadas ao desconforto. O projeto foi aplicado de forma pioneira no Hospital São Paulo, ligado à Universidade Federal de São Paulo, e busca auxiliar os pediatras na tomada de decisões clínicas de maneira mais rápida e precisa. Segundo os especialistas envolvidos, a tecnologia pode contribuir significativamente para melhorar o atendimento de recém-nascidos em situação delicada de saúde.
O programa desenvolvido pelos pesquisadores é capaz de gerar gráficos e análises visuais que demonstram quais expressões faciais tiveram maior influência na identificação da dor. As imagens analisadas pela inteligência artificial permitem acompanhar mudanças sutis no comportamento dos bebês que muitas vezes poderiam passar despercebidas durante avaliações tradicionais. De acordo com os pesquisadores, a tecnologia poderá ajudar médicos a monitorar continuamente os pacientes e identificar os momentos em que intervenções médicas se tornam realmente necessárias. O estudo foi publicado em uma importante revista científica internacional, reforçando o reconhecimento da pesquisa no meio acadêmico e hospitalar. Por enquanto, o sistema está sendo desenvolvido exclusivamente para uso hospitalar, mas especialistas acreditam que ferramentas semelhantes poderão futuramente ampliar a precisão dos cuidados neonatais em diferentes unidades de saúde. A expectativa é que a inteligência artificial se torne um importante apoio para equipes médicas, contribuindo para diagnósticos mais rápidos, tratamentos mais adequados e maior qualidade de vida para recém-nascidos em situações de vulnerabilidade clínica.

