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Uma operação policial de grande alcance resultou na prisão de 61 pessoas suspeitas de integrar um esquema criminoso voltado à exploração de jogos de azar e à lavagem de dinheiro em diferentes estados do país. Entre os detidos, estão dois vereadores: o presidente da Câmara Municipal de Cianorte, Vitor Hugo da Avanço, do Podemos, e o vice-presidente da Câmara de Goioerê, Marcelo Gaúcho, do PSD. Segundo as investigações, o grupo teria movimentado aproximadamente 2 bilhões de reais ao longo de cerca de quatro anos com atividades ilegais. A cidade de Cianorte, no noroeste do Paraná, foi identificada como uma das principais bases da organização, que mantinha pontos de apostas clandestinas e explorava modalidades como caça-níqueis e jogo do bicho em larga escala, com cerca de 15 mil pontos ativos apenas nessa modalidade.
As apurações indicam que a estrutura criminosa funcionava há mais de uma década e operava de forma organizada, com características de um conglomerado empresarial. Durante o período investigado, foram analisadas cerca de 520 mil operações financeiras suspeitas, que ajudaram a identificar o fluxo de dinheiro ilícito. Para ocultar os valores obtidos com as apostas ilegais, o grupo utilizava empresas de fachada, contas bancárias em nome de terceiros e pessoas conhecidas como “laranjas”. Além disso, uma empresa de tecnologia ligada ao esquema teria desenvolvido sistemas e plataformas digitais usados por bancas de jogo do bicho em pelo menos 14 estados, permitindo controle de apostas, transmissão de resultados e repasse de valores dentro da própria rede criminosa.
A operação também cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão em diferentes estados, incluindo Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Pará e Goiás, ampliando o alcance das investigações para além da região de origem do grupo. Durante as ações, foram apreendidos dinheiro em espécie, 28 veículos de luxo e diversas máquinas de caça-níqueis instaladas em imóveis residenciais e comerciais. As câmaras municipais envolvidas informaram não ter recebido notificações oficiais sobre as prisões dos parlamentares, enquanto as defesas dos vereadores afirmam não ter tido acesso completo aos autos e sustentam a inocência dos investigados. Os partidos políticos citados também não se manifestaram até o momento.

