MWM MWMW MWM MWMWMW, 22 de Maio
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O aumento no número de cubanos que tentam entrar de forma irregular no Brasil pela fronteira de Roraima tem chamado a atenção das autoridades de segurança e imigração. Dados recentes apontam que somente no último ano foram registrados mais de 18 mil pedidos de refúgio feitos por cidadãos cubanos no estado, número cinco vezes maior do que o registrado em 2024. A situação tem provocado preocupação especialmente na Polícia Rodoviária Federal, que intensificou as fiscalizações nas rodovias da região. Em uma das ocorrências mais recentes, dez pessoas, entre elas duas crianças, foram encontradas em situação migratória irregular dentro de um veículo interceptado pelas autoridades. O motorista foi preso em flagrante e o caso foi enquadrado como promoção de migração ilegal, crime frequentemente associado à atuação de coiotes, como são conhecidos os atravessadores que organizam o transporte clandestino de migrantes por rotas perigosas e informais. Em muitos casos, os passageiros viajam em condições precárias, com excesso de lotação e em veículos sem condições adequadas de circulação, aumentando os riscos de acidentes e colocando vidas em perigo durante o trajeto.



Levantamentos da Polícia Rodoviária Federal indicam que esse tipo de ocorrência vem se tornando cada vez mais frequente na BR-401, estrada que conecta o Brasil à Guiana. Somente nos cinco primeiros meses deste ano, 74 migrantes foram resgatados na região, número superior ao total registrado ao longo de 2024 e 2025. Segundo os dados oficiais, 91% dos casos envolvem cidadãos cubanos. A Guiana se tornou um ponto estratégico nesse fluxo migratório por ser o único país da América do Sul que não exige visto para a entrada de cubanos. A partir da capital guianense, muitos migrantes seguem viagem até a cidade de Lethem, próxima à fronteira, e depois atravessam para o município de Bonfim, em Roraima, onde grupos clandestinos atuam no transporte ilegal de estrangeiros. Informações da Agência Brasileira de Inteligência apontam que redes de atravessadores vêm utilizando a fronteira norte brasileira para facilitar a entrada irregular de migrantes no país. O custo dessa travessia costuma ser elevado, podendo chegar a até dez mil dólares por pessoa, valor equivalente a cerca de cinquenta mil reais, o que demonstra a dimensão econômica das atividades ilegais ligadas ao transporte clandestino de pessoas.

Especialistas apontam que a crise econômica e social enfrentada por Cuba tem sido um dos principais fatores que levam milhares de pessoas a deixar o país em busca de melhores condições de vida. Muitos migrantes relatam dificuldades extremas para garantir alimentação, trabalho e renda mínima para suas famílias, o que aumenta a disposição para enfrentar viagens longas e perigosas. Pesquisadores que acompanham o fluxo migratório observam ainda uma mudança importante no perfil dos cubanos que chegam ao Brasil. Nos primeiros anos desse movimento, predominavam pessoas com maior nível de escolaridade e qualificação profissional. Atualmente, no entanto, cresce o número de migrantes em situação de alta vulnerabilidade social, que dependem diretamente de pedidos de refúgio e assistência humanitária. Essa transformação representa um desafio ainda maior para o poder público brasileiro, que precisa ampliar estruturas de acolhimento, fiscalização e apoio social nas regiões de fronteira. Além das questões humanitárias, as autoridades também buscam combater a atuação de organizações criminosas que lucram com o transporte irregular de pessoas e expõem migrantes a condições de risco durante a travessia pela fronteira norte do país.