MWM MWMW MWM MWMWMW, 10 de Abril
-


Entre janeiro e março, o Brasil registrou um aumento expressivo de doenças respiratórias graves, com mais de 800 mortes associadas a vírus desse tipo no período. O dado chama atenção porque esses casos costumam se concentrar mais no inverno, quando as temperaturas caem. No entanto, em 2026, a circulação dos vírus começou mais cedo e com maior intensidade, resultando também em mais internações hospitalares, inclusive em unidades de terapia intensiva. Um levantamento do Instituto Todos pela Saúde, com base em dados laboratoriais, apontou que os casos de síndrome respiratória aguda grave provocados pelo vírus da influenza dobraram em relação ao mesmo período do ano anterior. Em algumas regiões, como na área metropolitana de Belo Horizonte, a alta de casos foi tão significativa que levou à decretação de situação de emergência em saúde pública.



A mudança no comportamento das doenças respiratórias também foi observada por especialistas. Segundo virologistas, o padrão sazonal dos vírus, que antes se concentrava em períodos mais frios do ano, sofreu alterações após a pandemia de Covid-19. O isolamento social e a redução da circulação de pessoas naquele período interferiram no ciclo natural de transmissão dos vírus, o que pode ter contribuído para a mudança no padrão atual. Além disso, fatores como maior circulação de pessoas e baixa adesão inicial às medidas de prevenção podem ter favorecido a disseminação mais rápida neste início de ano. Dados do Ministério da Saúde indicam que, até meados de março, foram registrados cerca de 14 mil casos de síndrome respiratória aguda grave no país, com aproximadamente 840 mortes associadas.

Diante desse cenário, as autoridades de saúde reforçaram a importância da vacinação como principal forma de prevenção contra as formas mais graves da gripe e de outros vírus respiratórios. A campanha nacional de imunização contra a influenza foi antecipada e já está em andamento em todo o país, com meta de atingir 90% dos grupos prioritários até o fim de maio. Entre esses grupos estão crianças, idosos, gestantes, profissionais de saúde, professores, povos indígenas e pessoas com doenças crônicas ou comorbidades. Até o momento, cerca de 6 milhões de doses já foram aplicadas. Especialistas em infectologia alertam que, embora muitas pessoas ainda considerem a gripe uma doença leve, ela pode evoluir para quadros graves e até fatais, especialmente entre os mais vulneráveis. Por isso, reforça-se a necessidade de ampliar a cobertura vacinal e manter medidas de prevenção para reduzir o impacto da circulação dos vírus respiratórios no país.