MWM MWMW MWM MWMWMW, 16 de Abril
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A Polícia Civil de Santa Catarina desarticulou um esquema criminoso especializado na venda fraudulenta de terrenos de luxo localizados em Jurerê Internacional, bairro nobre de Florianópolis. Segundo as investigações, os criminosos utilizavam documentos falsificados e mecanismos digitais para negociar imóveis que não lhes pertenciam, chegando inclusive a registrar operações em cartórios oficiais. A investigação aponta que pelo menos cinco terrenos foram vendidos de forma irregular, causando prejuízos milionários às vítimas e ao mercado imobiliário. A operação resultou na prisão de quatro suspeitos, sendo três detidos em Fortaleza, no Ceará, e um em Roraima. Outras seis pessoas continuam foragidas. De acordo com a Polícia Civil, a organização criminosa atuava de maneira estruturada e utilizava diferentes métodos para simular legalidade nas negociações imobiliárias. Em um dos casos investigados, os suspeitos teriam utilizado assinaturas digitais vinculadas à plataforma GOV.br para inserir, de forma fraudulenta, proprietários de terrenos em uma sociedade empresarial registrada no Ceará. A partir dessa alteração societária, os imóveis passavam formalmente para a empresa e eram revendidos para terceiros que, segundo os investigadores, compravam os terrenos acreditando na regularidade da documentação apresentada.



Outro método identificado pela investigação envolvia o uso de procurações falsas supostamente registradas em cartórios do Ceará. Com esses documentos fraudulentos, os criminosos conseguiam lavrar escrituras públicas e efetuar rapidamente a venda dos imóveis por valores abaixo do preço de mercado, o que facilitava a conclusão das negociações antes que os verdadeiros proprietários percebessem a fraude. A Polícia Civil informou que os suspeitos utilizavam estratégias para dar aparência de legitimidade às operações, dificultando inicialmente a identificação dos golpes. Além das prisões realizadas, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos estados do Amazonas, Goiás e Maranhão. O prejuízo causado às vítimas e ao setor imobiliário foi estimado em aproximadamente 12 milhões de reais. As autoridades agora buscam a anulação judicial das negociações realizadas de forma fraudulenta e o bloqueio de bens relacionados aos investigados. Segundo os investigadores, o esquema demonstra um alto nível de organização e planejamento, envolvendo falsificação documental, manipulação de registros imobiliários e utilização indevida de instrumentos digitais para facilitar as fraudes.

Os suspeitos poderão responder por crimes como estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro, cujas penas somadas podem ultrapassar 20 anos de prisão. A Polícia Civil destacou que as investigações continuam para localizar os demais integrantes do grupo e identificar possíveis novas vítimas do esquema. O caso também gerou questionamentos sobre o uso de ferramentas digitais em procedimentos relacionados a registros e transferências de imóveis. Em nota oficial, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, responsável pela plataforma GOV.br, afirmou que o sistema é considerado seguro e que não existem registros de invasão ou falha na estrutura tecnológica da plataforma. O órgão ressaltou ainda que a assinatura digital disponibilizada pelo GOV.br não pode ser utilizada diretamente para transferência ou registro de bens imóveis, indicando que os criminosos teriam explorado outras fragilidades documentais e administrativas para aplicar os golpes. Especialistas alertam que a sofisticação de fraudes imobiliárias vem aumentando nos últimos anos, exigindo maior atenção de compradores, cartórios e órgãos de fiscalização na conferência de documentos e autenticidade das transações realizadas no mercado imobiliário brasileiro.