MWM MWMW MWM MWMWMW, 18 de Março
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A Polícia Civil do Estado de São Paulo realizou uma operação que resultou na prisão de integrantes de uma associação criminosa especializada no furto de cargas de grãos transportadas por trens com destino ao Porto de Santos. As investigações apontaram que o grupo atuava desde 2023 na região de Aguaí, no interior paulista, aproveitando-se do conhecimento detalhado sobre rotas e horários das composições ferroviárias. O aspecto mais relevante do esquema era a forma de atuação: os criminosos embarcavam nos vagões ainda em movimento, caminhavam sobre eles e retiravam parte da carga durante o trajeto. O trabalho policial, que se estendeu por cerca de seis meses, utilizou recursos como drones e câmeras de monitoramento para acompanhar a ação dos suspeitos e reunir provas sobre a dinâmica dos crimes.



Durante as ações registradas, os investigados ensacavam produtos como farelo de soja e açúcar diretamente sobre os vagões e, em seguida, arremessavam os sacos ao longo da via férrea. Posteriormente, outros integrantes da quadrilha recolhiam o material nas margens da linha e o transportavam por estradas próximas até galpões utilizados como depósitos clandestinos. Em um desses locais, os policiais apreenderam aproximadamente 20 toneladas de açúcar. Segundo as autoridades, o produto era submetido a um processo de limpeza e reembalagem, sendo posteriormente comercializado com documentação fraudulenta para aparentar origem legal. Esse procedimento ampliava os riscos, pois o material, originalmente destinado a usos industriais, poderia ser redirecionado para consumo ou outras finalidades sem qualquer controle sanitário adequado.

A operação resultou na prisão de quatro pessoas, sendo uma delas em flagrante, além da identificação de um suspeito que permanece foragido. Também foram apreendidos veículos, equipamentos utilizados nas ações criminosas, armas — inclusive simulacros — e aparelhos celulares que devem auxiliar no avanço das investigações. O prejuízo estimado causado pelo grupo, considerando os furtos e os impactos logísticos, chega a cerca de 13 milhões de reais. A próxima etapa do trabalho policial consiste em identificar os receptadores das mercadorias, que podem incluir comerciantes ou outros envolvidos na cadeia de distribuição ilegal. A ação é considerada relevante não apenas para a repressão ao crime organizado, mas também para a proteção da economia e da saúde pública, diante do risco associado à circulação de produtos de origem irregular.