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A Controladoria-Geral da União e a Polícia Federal realizaram uma operação para investigar suspeitas de irregularidades em contratos da área da saúde firmados durante a pandemia de Covid-19 no estado de Goiás. As apurações envolvem recursos destinados à administração de hospitais de campanha criados para atender pacientes infectados pelo coronavírus. Segundo os investigadores, os desvios de verba pública podem ultrapassar 38 milhões de reais. A Justiça autorizou o cumprimento de 46 mandados de busca e apreensão em Goiás, São Paulo, Maranhão, Tocantins e Distrito Federal, além da prisão de quatro investigados. A operação concentra-se em contratos firmados entre organizações sociais e unidades hospitalares temporárias instaladas em Goiânia e Aparecida de Goiânia entre os anos de 2020 e 2021. De acordo com a Controladoria-Geral da União, uma análise parcial dos pagamentos realizados a profissionais e prestadores de serviço revelou indícios de irregularidades em grande parte das despesas avaliadas. A investigação aponta que aproximadamente 88% dos pagamentos analisados apresentaram suspeitas de inconsistências, envolvendo contratos firmados no período mais crítico da pandemia. Apenas em uma das organizações investigadas, os prejuízos estimados chegam a quase 17 milhões de reais, segundo os dados divulgados pelos órgãos de controle.
Outra entidade investigada pela operação é o Instituto Brasileiro de Gestão Hospitalar, responsável pela administração de um hospital de campanha em Aparecida de Goiânia. Conforme as investigações, a instituição recebeu mais de 212 milhões de reais em contratos públicos durante a pandemia, e parte desses recursos teria sido desviada por meio de práticas fraudulentas. Os investigadores afirmam que o esquema pode ter causado prejuízo superior a 21 milhões de reais apenas nessa unidade. Entre as irregularidades identificadas estão suspeitas de simulação de concorrência entre empresas ligadas aos próprios dirigentes das organizações sociais, ausência de profissionais especializados em escalas médicas, equipes incompletas de atendimento e cobrança por leitos hospitalares que não existiam ou não estavam em funcionamento. A investigação também aponta vínculos entre gestores das entidades contratadas e empresas que prestavam serviços aos hospitais de campanha, o que levanta suspeitas de favorecimento irregular e direcionamento de contratos. Durante a operação, três empresários foram presos preventivamente, enquanto outro investigado seguia sendo procurado pelas autoridades responsáveis pelas diligências policiais.
As instituições citadas nas investigações informaram que colaboram com os órgãos de fiscalização e negaram irregularidades nos contratos firmados durante a pandemia. Em nota oficial, a Associação Agir afirmou possuir mais de duas décadas de atuação na área da saúde e destacou que sempre trabalhou com princípios de ética e transparência administrativa. A entidade também declarou que as contas relacionadas à gestão da pandemia já haviam sido aprovadas anteriormente, inclusive pela própria Controladoria-Geral da União. A Secretaria de Saúde do Estado de Goiás informou que está colaborando com as investigações e ressaltou que adotou mecanismos mais rigorosos de controle e fiscalização a partir de 2023 para prevenir desvios de recursos públicos. Já a Secretaria de Saúde de Aparecida de Goiânia e o Instituto Brasileiro de Gestão Hospitalar não haviam se manifestado até o momento da divulgação das informações. A operação reforça a continuidade das investigações relacionadas ao uso de recursos emergenciais destinados ao combate à Covid-19, período em que diferentes estados brasileiros realizaram contratações rápidas para ampliar a capacidade de atendimento hospitalar durante a crise sanitária.

