MWM MWMW MWM MWMWMW, 04 de Abril
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O transtorno do espectro autista, conhecido pela sigla TEA, afeta milhões de pessoas em todo o mundo e tem recebido cada vez mais atenção de especialistas e autoridades de saúde. A Organização das Nações Unidas estima que uma em cada 127 pessoas esteja dentro do espectro autista. No Brasil, dados do Censo de 2022 mostram que aproximadamente 2 milhões e 400 mil pessoas declararam possuir diagnóstico de autismo, sendo a maioria formada por adultos com mais de 20 anos. Especialistas acreditam, no entanto, que esse número pode ser ainda maior, já que muitos casos permanecem sem diagnóstico, principalmente entre adultos. Em diversas situações, os primeiros sinais do transtorno são percebidos ainda na infância, frequentemente por familiares ou profissionais da escola. Foi o que aconteceu com Bernardo, diagnosticado ainda pequeno após professores observarem comportamentos considerados diferentes para a idade, como andar na ponta dos pés, balançar os braços repetidamente e demonstrar dificuldade de interação. Após meses de avaliações médicas e exames, veio a confirmação do diagnóstico, permitindo o início de terapias especializadas e acompanhamento multidisciplinar.



As diretrizes atualizadas pela Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil reforçam a importância do diagnóstico precoce e do início rápido das intervenções terapêuticas. Entre os sinais de alerta mais observados estão dificuldades de interação social, pouco contato visual, apego incomum a objetos específicos, dificuldade em compreender ironias e resistência a mudanças de rotina ou ambiente. Especialistas destacam que, diante da suspeita de autismo, o mais importante é buscar orientação profissional o quanto antes, mesmo antes da confirmação definitiva do diagnóstico. O tratamento costuma envolver diferentes áreas da saúde, incluindo fonoaudiologia, terapia ocupacional, fisioterapia e acompanhamento psicológico. Quanto mais cedo as terapias começam, maiores costumam ser as possibilidades de desenvolvimento da comunicação, da autonomia e das habilidades sociais da criança. Familiares relatam mudanças significativas após o início do acompanhamento especializado, como melhora na fala, no comportamento e na interação com outras pessoas. O suporte adequado também ajuda na adaptação escolar e na qualidade de vida das crianças e de suas famílias.

O diagnóstico do autismo em adultos ainda representa um grande desafio no Brasil devido à falta de profissionais especializados e ao desconhecimento sobre o transtorno em gerações anteriores. Muitos adultos passaram a vida enfrentando dificuldades sociais e comportamentais sem compreender a origem dessas características, sendo frequentemente rotulados de maneira negativa pela sociedade. Especialistas alertam que a ausência de diagnóstico e acolhimento pode contribuir para problemas emocionais graves, como ansiedade, depressão e isolamento social. O caso de Rian, que recebeu o diagnóstico apenas aos 22 anos, exemplifica essa realidade. Segundo ele, a descoberta trouxe uma nova compreensão sobre as dificuldades enfrentadas desde a infância e permitiu acesso a tratamentos e acolhimento especializados que melhoraram sua qualidade de vida. Instituições de referência em atendimento a pessoas com deficiência reforçam a necessidade de ampliar o acesso ao diagnóstico, à informação e ao acompanhamento multidisciplinar em todas as faixas etárias. O aumento da conscientização sobre o transtorno do espectro autista é considerado fundamental para combater preconceitos, promover inclusão social e garantir melhores condições de desenvolvimento e bem-estar para milhões de brasileiros.