-
A Polícia Civil do estado de São Paulo conduz uma investigação que aponta a possível infiltração de integrantes da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) em estruturas da administração pública e em campanhas eleitorais na Grande São Paulo e no litoral paulista. Segundo as apurações, o grupo investigado estaria articulando conexões políticas com o objetivo de lavar dinheiro oriundo de atividades ilícitas e acessar recursos públicos de forma indevida. A operação mais recente resultou na prisão de quatro pessoas e faz parte de um conjunto de ações que buscam desarticular um núcleo de atuação política dentro da estrutura criminosa.
A ação policial foi coordenada pela Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (DISE) de Mogi das Cruzes e cumpriu seis mandados de prisão e 22 mandados de busca e apreensão em diferentes localidades do país, incluindo o Distrito Federal, cidades do Paraná como Londrina, municípios de Goiás como Goiânia e Aparecida de Goiânia, além de sete cidades paulistas, entre elas a capital. A investigação é um desdobramento de um inquérito iniciado em 2024, no qual já haviam sido identificadas movimentações financeiras suspeitas, indícios de tráfico de drogas e o uso de empresas de fachada para ocultação de recursos da facção. A análise desse material permitiu identificar uma nova frente de atuação voltada à infiltração política e à influência em processos eleitorais e administrativos.
As investigações indicam ainda que o grupo teria estruturado uma empresa do tipo fintech com a finalidade de administrar pagamentos de tributos, taxas e boletos relacionados a prefeituras, o que teria facilitado a mistura entre recursos de origem lícita e dinheiro proveniente de atividades criminosas. Além das prisões, também foram cumpridos mandados de busca em endereços ligados a pessoas com atuação em secretarias e órgãos da administração pública, suspeitas de manter vínculos com um dos principais articuladores do esquema. Durante a operação, foram apreendidos veículos de luxo, documentos e equipamentos eletrônicos, além do bloqueio judicial de mais de 513 milhões de reais em bens e contas dos investigados. A polícia considera o bloqueio financeiro uma medida essencial para enfraquecer a estrutura econômica do grupo, enquanto a investigação segue em andamento como continuidade de uma ação anterior que já havia resultado no congelamento de cerca de 8 bilhões de reais ligados a suspeitos de conexão com a organização criminosa.

