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Amigos e familiares prestaram homenagens a uma mulher e ao filho dela, vítimas de um acidente envolvendo uma bicicleta elétrica e um ônibus no Rio de Janeiro. A tragédia chamou atenção para o aumento expressivo de acidentes com veículos autopropelidos, como bicicletas elétricas, nas ruas brasileiras. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento do atropelamento. Nas gravações, a mulher e a criança aparecem trafegando em uma bicicleta elétrica pela lateral da via quando o ônibus se aproxima por trás. Pouco depois, as vítimas são vistas caídas no chão. Emanuele Martins Guedes de Farias, de 40 anos, morreu ainda no local. O filho dela, Francisco, de 10 anos, chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos durante o trajeto ao hospital. Inicialmente, o motorista do ônibus afirmou que a bicicleta teria sido fechada por outro veículo antes do acidente, mas as imagens analisadas pela polícia não confirmaram essa versão. O caso é investigado pela Polícia Civil como homicídio culposo, quando não existe intenção de matar.
O uso de bicicletas elétricas cresceu significativamente nos últimos anos, principalmente em grandes cidades, onde esses veículos passaram a ser utilizados como alternativa ao transporte público e aos automóveis. A facilidade de deslocamento, a economia e a rapidez no trânsito contribuíram para o aumento da circulação desse tipo de veículo nas ruas. No entanto, especialistas alertam que essa expansão também elevou os riscos de acidentes. Dados divulgados pelo Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro mostram que apenas neste ano já foram registrados mais de uma centena de acidentes envolvendo bicicletas elétricas no estado. Em comparação com o ano anterior, o crescimento foi de quase 200%, incluindo casos de colisões, atropelamentos e quedas com vítimas que precisaram de atendimento de emergência. Segundo profissionais de resgate, os ferimentos mais comuns nesses acidentes são traumatismos cranianos, fraturas em braços e pernas, além de lesões graves na coluna. Por esse motivo, especialistas reforçam a importância do uso de equipamentos de proteção, especialmente o capacete, considerado fundamental para reduzir o risco de morte em acidentes de alta gravidade.
O Código de Trânsito Brasileiro ainda não possui regras específicas detalhadas para bicicletas elétricas, mas estabelece normas gerais para bicicletas comuns e para a convivência entre diferentes tipos de veículos nas vias públicas. A legislação determina que, na ausência de ciclovias, acostamentos ou ciclofaixas, as bicicletas devem circular pelas laterais da pista, no mesmo sentido dos automóveis, tendo prioridade sobre veículos motorizados. O código também estabelece que veículos maiores devem zelar pela segurança dos menores, enquanto todos os condutores devem respeitar os pedestres. Diante do crescimento dos acidentes, especialistas defendem maior conscientização dos motoristas, ciclistas e pedestres para garantir uma convivência mais segura no trânsito. Em 2023, o Conselho Nacional de Trânsito publicou uma resolução atribuindo às prefeituras a responsabilidade de regulamentar a circulação de bicicletas elétricas e outros veículos autopropelidos nas cidades. Após o acidente que matou mãe e filho, a Prefeitura do Rio informou que pretende endurecer as regras de circulação desses veículos, além de reforçar a fiscalização e a aplicação das punições previstas na legislação de trânsito.

