-
A realização de cortes e ranhuras no asfalto tem sido utilizada como estratégia para reduzir ultrapassagens proibidas em rodovias federais de Goiás. Em diversos registros feitos nas BRs 153 e 414, que conectam o estado à região Norte do país, motoristas foram flagrados realizando manobras perigosas em trechos de faixa contínua, mesmo com a sinalização indicando a proibição. Em uma das ocorrências, dois caminhões tentaram ultrapassar simultaneamente em pista simples, colocando em risco veículos que trafegavam no sentido contrário. Em outro caso, uma caminhonete precisou desviar para o acostamento para evitar uma colisão frontal. As imagens revelam situações de alto risco provocadas pelo desrespeito às normas de trânsito, especialmente em locais onde a ultrapassagem é proibida devido à baixa margem de segurança. Apesar da presença de placas e da pintura horizontal no pavimento, muitos condutores ignoram as restrições, impulsionados pela falsa sensação de controle e visibilidade nas estradas. Diante desse cenário, autoridades responsáveis pela administração das rodovias passaram a adotar mecanismos adicionais de alerta para tentar diminuir o número de acidentes relacionados a esse tipo de infração.
O novo sistema implantado consiste em ranhuras feitas sobre a faixa contínua central da pista, produzidas por uma máquina específica e com aproximadamente 1,5 centímetro de profundidade. Quando o veículo passa sobre essas ondulações, ocorre uma vibração perceptível no volante, nos pneus ou no guidão da motocicleta, além de um ruído intenso que funciona como aviso imediato ao motorista. O objetivo é chamar a atenção do condutor e fazê-lo retornar à faixa correta antes que a ultrapassagem seja concluída. Aproximadamente quinze quilômetros de pistas receberam os cortes nas duas rodovias goianas. Segundo especialistas em segurança viária, existem referências internacionais que apontam redução entre 10% e 25% nos acidentes em locais que utilizam tecnologia semelhante. Embora o sistema já seja conhecido em algumas regiões do Brasil, ainda não havia normas amplas de implantação ou padronização técnica para esse tipo de intervenção. A escolha de Goiás como pioneiro na aplicação das ranhuras no eixo central das pistas ocorreu devido ao grande número de ocorrências registradas em trechos de pista simples, onde motoristas frequentemente arriscam ultrapassagens indevidas ao acreditarem que possuem visibilidade suficiente para concluir a manobra com segurança.
Os dados nacionais demonstram a gravidade do problema provocado pelo desrespeito à faixa contínua. Nos últimos dez anos, o Brasil registrou mais de 33 mil acidentes relacionados a ultrapassagens indevidas. Apenas em 2025, a Polícia Rodoviária Federal autuou mais de 253 mil motoristas por esse tipo de infração. Ainda no mesmo período, foram contabilizados 1.770 acidentes causados por ultrapassagens proibidas, resultando em 404 mortes em diferentes regiões do país. Especialistas destacam que rodovias com pavimento em boas condições e sinalização adequada podem transmitir excesso de confiança aos condutores, incentivando manobras arriscadas mesmo em locais proibidos. Como as colisões geralmente acontecem em alta velocidade e envolvem impactos frontais, as consequências costumam ser graves e provocar mortes imediatas ou ferimentos severos. Motoristas que utilizam diariamente as rodovias onde o sistema foi implantado afirmam já perceber diferença no comportamento ao volante, relatando que o barulho e a trepidação causados pelas ranhuras funcionam como um alerta instantâneo de invasão de faixa, ajudando a aumentar a atenção e a reduzir atitudes imprudentes durante a condução dos veículos.

