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No estado de Mato Grosso do Sul, produtores rurais têm buscado alternativas agrícolas mais resistentes às variações climáticas e com custos de produção reduzidos. Nesse contexto, o cultivo do sorgo vem ganhando destaque, inclusive fora do período tradicional, como na safra de verão. Em Maracaju, município reconhecido pela elevada produção de grãos, um agricultor decidiu substituir parte da área antes destinada à soja pelo sorgo, após enfrentar sucessivas perdas com a oleaginosa devido à irregularidade das chuvas. A soja, historicamente consolidada no sistema produtivo local, especialmente no modelo que combina cultivo de verão com milho na safrinha, passou a apresentar maior vulnerabilidade diante de eventos climáticos extremos, o que motivou a adoção de novas estratégias no campo.
Diante desse cenário, o sorgo se mostrou uma alternativa viável por sua maior tolerância à seca e menor custo de produção. Nos últimos cinco anos, a área cultivada com esse cereal no estado apresentou crescimento expressivo, passando de aproximadamente 5 mil para quase 400 mil hectares, o que representa uma expansão significativa. Embora tradicionalmente cultivado no inverno, o plantio de sorgo no verão ainda é considerado inovador, mas tem demonstrado bom desempenho produtivo. Em termos econômicos, os resultados também se mostraram favoráveis, com lucros superiores aos obtidos anteriormente com a soja na mesma área. Além disso, o sorgo vem ampliando sua relevância não apenas na alimentação animal, mas também como matéria-prima para a produção de etanol, o que fortalece sua inserção na cadeia de biocombustíveis.
A comercialização do sorgo também tem se mostrado mais estruturada, contribuindo para a segurança dos produtores. No caso analisado, houve a formalização de contrato antecipado com uma indústria local, garantindo preço e escoamento da produção antes mesmo da colheita. Especialistas apontam que o sorgo não tende a substituir integralmente a soja, mas sim complementar o sistema produtivo, diversificando as culturas e reduzindo riscos. A convivência entre diferentes lavouras na mesma propriedade tem permitido maior equilíbrio diante das adversidades climáticas. Assim, com os resultados positivos obtidos, o sorgo tende a se consolidar como uma cultura estratégica, especialmente em anos marcados pela escassez hídrica, contribuindo para a sustentabilidade e a resiliência da produção agrícola regional.

