MWM MWMW MWM MWMWMW, 21 de Maio
-


A rede de bancos de leite humano do Brasil registrou um aumento de 12% na quantidade de leite coletado em 2026, mas os estoques ainda permanecem insuficientes em diversas cidades do país. O leite materno doado é destinado principalmente a recém-nascidos prematuros, de baixo peso ou internados em unidades de terapia intensiva neonatal, que muitas vezes não conseguem se alimentar diretamente das mães. Mulheres como Sueli contribuem para esse trabalho por meio da doação de leite materno. Ao longo de três anos, ela doou mais de 13 litros, motivada pela consciência da importância nutricional do alimento para bebês em situação de vulnerabilidade. O leite humano doado ajuda crianças que enfrentam dificuldades logo nos primeiros dias de vida, como ocorreu com a recém-nascida Radassa, que precisou permanecer internada na UTI neonatal devido a problemas respiratórios. Após o período de internação, a mãe da criança destacou a relevância das doações para mães que não conseguem produzir leite suficiente para alimentar seus filhos. Para garantir que o alimento chegue de forma segura aos bebês, existe uma estrutura organizada de coleta, armazenamento, controle de qualidade e distribuição realizada pelos bancos de leite humano espalhados pelo país.



Na cidade de Vitória, parte das doações é recebida pelo banco de leite do hospital universitário, que integra a rede global de bancos de leite humano coordenada pela Fundação Oswaldo Cruz. Os profissionais da área destacam que a doação de leite materno deve ser entendida como uma responsabilidade coletiva, fundamental para salvar vidas de bebês internados em UTIs neonatais. Somente neste ano, mais de 64 mil litros de leite humano já foram coletados em 234 postos de atendimento em todo o Brasil. No Espírito Santo, o banco de leite do hospital universitário de Vitória, um dos oito em funcionamento no estado, recebeu mais de 510 litros de leite até a primeira quinzena de maio e conseguiu beneficiar 113 bebês. Apesar do avanço nas doações, a demanda ainda supera a capacidade de atendimento. Cerca de 15% dos bebês que procuraram a unidade não conseguiram receber leite humano. A situação também preocupa em Sergipe. O Banco de Leite Marli Sarney, localizado em Aracaju, registrou média de aproximadamente 50 doadoras mensais entre janeiro e abril de 2026, número considerado insuficiente diante da necessidade crescente das maternidades de referência em partos de alto risco.

No mesmo período, a maternidade estadual de Sergipe solicitou 688 litros de leite materno ao banco de leite, mas apenas 54% dessa demanda pôde ser atendida. Os especialistas alertam que o leite humano continua sendo a alternativa mais segura, eficaz e econômica para reduzir infecções e diminuir os índices de mortalidade infantil, especialmente entre recém-nascidos prematuros. Além de fornecer nutrientes essenciais para o desenvolvimento saudável da criança, o leite materno também transmite anticorpos da mãe para o bebê, fortalecendo o sistema imunológico e ajudando na prevenção de doenças. Pesquisadores e profissionais da saúde ressaltam ainda que o leite humano possui composição adequada para cada fase do desenvolvimento infantil, contribuindo para evitar problemas metabólicos e reduzir os riscos de obesidade no futuro. Diante da crescente demanda e da insuficiência dos estoques em diversas regiões, os bancos de leite reforçam a necessidade de ampliar o número de doadoras para garantir atendimento aos bebês que dependem exclusivamente desse alimento para sobreviver e se desenvolver de forma saudável.