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O trabalho realizado por arqueólogos em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, vem recuperando parte importante da história do Brasil Imperial. A área atualmente estudada já foi, no século XIX, uma movimentada vila de passagem para pessoas e mercadorias que seguiam em direção ao Rio de Janeiro, então capital do país. Durante as escavações, pesquisadores encontraram milhares de fragmentos de objetos antigos, especialmente pedaços de louças, utensílios domésticos e materiais usados no cotidiano da população da época. Cada item descoberto ajuda a reconstruir a história da antiga Vila de Iguaçu, local que recebeu até a visita do imperador brasileiro durante o período imperial. Com o passar do tempo, porém, a região perdeu importância econômica e acabou praticamente esquecida dentro do atual município de Nova Iguaçu, que hoje possui cerca de 800 mil habitantes. Restaram apenas poucos vestígios visíveis da antiga vila, como paredes de pedra e estruturas subterrâneas. Agora, graças às pesquisas arqueológicas, parte dessa cidade histórica está sendo redescoberta e valorizada novamente.
As escavações vêm revelando uma grande quantidade de objetos enterrados há quase dois séculos. Moradores da região relatam que já encontravam peças antigas ao cavar o solo para pequenas obras domésticas, mas somente nos últimos anos o trabalho passou a ser realizado de forma organizada por especialistas. O proprietário de um dos terrenos autorizou as pesquisas depois de perceber a importância histórica do local. Desde o início do projeto, há cerca de três anos, aproximadamente 100 mil objetos ou fragmentos foram encontrados. Entre os materiais descobertos estão pedaços de pratos, frascos, utensílios importados e outros itens que demonstram como funcionava a sociedade brasileira naquele período. Segundo os pesquisadores, o padrão de consumo encontrado em Vila de Iguaçu era semelhante ao de outros grandes centros urbanos do Brasil no século XIX, indicando forte circulação de pessoas e mercadorias. A antiga vila se desenvolveu principalmente por causa de sua localização estratégica, servindo como ponto de ligação entre as rotas terrestres e os rios utilizados para o transporte de café até a antiga capital brasileira. Enquanto outras rotas podiam levar até três meses de viagem, o trajeto por Iguaçu reduzia significativamente o tempo de transporte das mercadorias.
O crescimento econômico da vila, no entanto, não durou por muito tempo. Com a chegada das ferrovias e a mudança das rotas de transporte do café, a antiga Iguaçu perdeu importância comercial e acabou sendo abandonada. A população se deslocou para regiões próximas à estação de trem, localizada a cerca de quinze quilômetros dali, dando origem ao desenvolvimento urbano em outra área do município. Mesmo após décadas de abandono, as estruturas antigas permaneceram preservadas sob o solo e agora começam a revelar novamente a história da região. No mês passado, a prefeitura inaugurou um museu destinado à exposição das peças encontradas nas escavações arqueológicas. Entre os objetos em destaque estão recipientes de pasta de dente importados de Paris, botões com símbolos do império e utensílios reconstruídos a partir de fragmentos encontrados no terreno. Muitos objetos ainda estão incompletos, mas os pesquisadores acreditam que grande parte da antiga cidade continua enterrada sob as pastagens da região. As equipes afirmam que os trabalhos de escavação continuarão para recuperar novos vestígios históricos e ampliar o conhecimento sobre a formação social, econômica e cultural do Brasil Imperial.

