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A arrecadação da Receita Federal do Brasil com impostos incidentes sobre produtos importados atingiu um nível recorde em 2025, refletindo mudanças recentes no comportamento de consumo da população brasileira. Nos últimos anos, as compras online internacionais se popularizaram, ampliando o acesso a produtos estrangeiros. No entanto, a implementação de novas regras de tributação sobre encomendas de até 50 dólares, valor equivalente a aproximadamente 260 reais, alterou esse cenário. Consumidores passaram a adotar uma postura mais seletiva, reduzindo a frequência de compras internacionais e priorizando produtos disponíveis no mercado nacional, que não estão sujeitos à mesma carga tributária. Ainda assim, para itens sem equivalente no Brasil, a importação continua sendo uma alternativa utilizada, embora com maior cautela. A medida conhecida popularmente como “taxa das blusinhas”, em vigor desde agosto de 2024, encerrou a isenção anteriormente concedida a produtos de menor valor, gerando impacto direto nos hábitos de consumo.
A mudança na política tributária foi proposta pelo governo federal e aprovada pelo Congresso Nacional como resposta às demandas de setores da indústria brasileira, que apontavam desequilíbrio competitivo em relação aos produtos importados. Segundo esses setores, a menor carga tributária aplicada a itens estrangeiros criava uma vantagem injusta no mercado interno. Dados oficiais indicam que a arrecadação com o imposto de importação alcançou cerca de 5 bilhões de reais em 2025, um crescimento expressivo quando comparado aos 734 milhões registrados em 2019. Durante a pandemia, em 2021, o aumento das compras online impulsionou a arrecadação para mais de 1 bilhão de reais. Já em 2024, com o início da nova tributação, o valor subiu para aproximadamente 2,88 bilhões de reais, representando um crescimento significativo que se consolidou no ano seguinte. Esse aumento ocorreu mesmo diante da redução no número total de encomendas internacionais.
De fato, o volume de remessas vindas do exterior apresentou queda, passando de 189 milhões em 2024 para 165 milhões em 2025. De acordo com a Receita Federal do Brasil, essa diminuição está associada, entre outros fatores, ao combate à prática de fracionamento de encomendas, utilizada anteriormente para evitar a incidência de tributos. Além disso, houve um crescimento nas compras realizadas em lojas nacionais e uma redução no número de consumidores que efetuaram múltiplas aquisições internacionais ao longo do ano. Apesar da retração no volume de pedidos, o valor total gasto com produtos importados atingiu um novo recorde, chegando a 18,6 bilhões de reais em 2025, superando os cerca de 15 bilhões registrados no ano anterior. Esses dados evidenciam uma mudança no perfil de consumo, marcada por menor quantidade de compras, porém com maior valor agregado por transação.

