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Pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo têm realizado um acompanhamento contínuo dos impactos ambientais causados pelo rompimento da barragem da Samarco, ocorrido em Mariana (MG) em 2015. O desastre resultou no despejo de uma grande quantidade de rejeitos de minério no Rio Doce, que percorreu centenas de quilômetros até desaguar no litoral do Espírito Santo, atingindo ecossistemas marinhos da região. Mais de dez anos após o acidente, ainda são observados efeitos persistentes na fauna marinha, especialmente em espécies sensíveis e de grande importância ecológica. Entre elas, destaca-se a toninha, um pequeno golfinho que vive no litoral capixaba e que vem sendo monitorado de forma constante pelos cientistas.
O estudo das toninhas é realizado com o auxílio de drones, tecnologia que permite observar os animais à distância, sem interferir em seu comportamento natural. Segundo os pesquisadores, esse método de monitoramento é menos invasivo e mais seguro, pois evita qualquer tipo de estresse ou alteração no ambiente dos animais. As toninhas vivem em pequenos grupos, com baixa interação com outras espécies, e dependem fortemente de uma faixa específica do litoral, especialmente nas proximidades da foz do Rio Doce. Essa região foi diretamente afetada pela chegada dos rejeitos de minério, o que contribuiu para a contaminação da cadeia alimentar marinha. Como são animais situados no topo dessa cadeia, as toninhas acabam acumulando substâncias tóxicas ao longo do tempo, fenômeno conhecido como bioacumulação, o que pode comprometer sua saúde e reprodução.
Os dados coletados ao longo dos anos indicam uma redução na população dessa espécie na região monitorada. Estimativas apontavam cerca de 1.700 indivíduos há aproximadamente oito anos, enquanto levantamentos mais recentes sugerem a existência de cerca de 1.500 animais. Embora a diferença possa parecer pequena, os pesquisadores alertam que a tendência de queda, somada a outros fatores de pressão ambiental, representa um risco significativo para a sobrevivência da espécie no longo prazo. Além da contaminação por rejeitos de mineração, as toninhas também enfrentam ameaças relacionadas à pesca, à movimentação de embarcações e à expansão de atividades portuárias. Diante desse cenário, o monitoramento contínuo é considerado essencial para compreender a evolução da população e avaliar os impactos ambientais acumulados ao longo do tempo.

