-
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, assinado no último fim de semana no Paraguai após mais de 26 anos de negociações, representa uma das maiores iniciativas de integração econômica já firmadas no cenário internacional. O tratado cria uma área de livre comércio que reúne mais de 700 milhões de pessoas e movimenta cerca de 22 trilhões de dólares na economia global. Segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), aproximadamente 8 em cada 10 produtos brasileiros exportados para o bloco europeu terão a tarifa de importação zerada assim que o acordo entrar em vigor, o que inclui mais de 5 mil itens industriais e agrícolas. Em contrapartida, o Brasil terá um período de transição de 10 a 15 anos para reduzir gradualmente as tarifas de cerca de 4.400 produtos importados da União Europeia. Para que o tratado comece a produzir efeitos práticos, ainda é necessária a aprovação do Parlamento Europeu e do Congresso Nacional brasileiro.
De acordo com estudos da CNI, os impactos do acordo não devem se limitar às grandes empresas exportadoras, alcançando também pequenas e médias indústrias brasileiras. Setores como o de alimentos e bebidas, incluindo o processamento e exportação de café especial, já vislumbram novas oportunidades de crescimento com a ampliação do acesso ao mercado europeu e a redução de tarifas. Produtos como o café arábica, por exemplo, terão maior competitividade devido ao aumento de cotas e à isenção de impostos de importação em determinados segmentos. O comércio entre Brasil e União Europeia já é significativo: em 2024, as exportações brasileiras para o bloco somaram cerca de 48 bilhões de dólares, consolidando a Europa como o segundo maior destino das vendas externas do país. Além disso, a União Europeia é a principal investidora estrangeira no Brasil, com um estoque de investimentos que ultrapassa centenas de bilhões de dólares, reforçando a importância estratégica dessa relação econômica.
Especialistas e representantes do setor industrial destacam que a abertura comercial pode estimular novos investimentos e fortalecer cadeias produtivas em diferentes setores da economia brasileira. A expectativa é de que o acordo favoreça não apenas a expansão do comércio tradicional, mas também o desenvolvimento de áreas ligadas à inovação e à transição energética, consideradas estratégicas para o futuro econômico global. A CNI avalia que há um potencial ainda pouco explorado que pode ser impulsionado com a integração entre os blocos, permitindo a retomada de parcerias históricas com países europeus como Alemanha, França, Itália e Suécia. Essas relações já contribuíram no passado para o desenvolvimento de setores como o automotivo, químico e de máquinas e equipamentos. Com o novo tratado, a tendência apontada é de ampliação da cooperação econômica, aumento da competitividade da indústria brasileira e maior inserção do país em cadeias globais de valor.

