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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início dos testes clínicos de um medicamento 100% brasileiro voltado ao tratamento de lesões na medula espinhal, condição que pode causar perda parcial ou total dos movimentos do corpo. O anúncio representa um marco importante para a pesquisa científica nacional e traz expectativa para pacientes com esse tipo de lesão. O projeto teve início em 1997 e, ao longo de décadas, foi desenvolvido por uma ampla rede de colaboração envolvendo universidades, profissionais de saúde e instituições parceiras. Nos últimos três anos, a equipe liderada pela pesquisadora brasileira Tatiana Sampaio, professora e doutora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), aguardava a autorização da Anvisa para dar início à fase de testes em seres humanos. A aprovação foi oficializada em uma coletiva do Ministério da Saúde, destacando o caráter inovador e totalmente nacional da iniciativa.
Em etapas anteriores da pesquisa, a equipe conseguiu desenvolver em laboratório uma substância chamada polilaminina, obtida a partir de proteínas presentes na placenta humana. Segundo os estudos iniciais, essa substância estaria relacionada à capacidade de reorganizar conexões neurais, que são fundamentais para a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo. Em experimentos realizados com oito pacientes paraplégicos e tetraplégicos, a aplicação da polilaminina apresentou resultados considerados promissores, com recuperação parcial de movimentos em seis deles. Em um dos casos relatados, um paciente que havia perdido a mobilidade do ombro para baixo conseguiu voltar a andar de forma independente. Esses resultados preliminares reforçaram o interesse científico e abriram caminho para a transição da pesquisa para a fase de testes clínicos regulamentados.
Com a autorização da Anvisa, a polilaminina inicia agora a primeira fase de testes clínicos, etapa essencial para avaliar principalmente a segurança do uso da substância em seres humanos. Nesse estágio inicial, cinco pacientes com lesão completa da medula espinhal receberão uma única injeção do medicamento até 48 horas após o trauma. Eles serão acompanhados por um período de seis meses, durante o qual os pesquisadores observarão possíveis reações adversas e a tolerabilidade do tratamento. Caso não sejam identificados efeitos colaterais graves, o estudo poderá avançar para fases posteriores, nas quais será avaliada de forma mais aprofundada a eficácia do medicamento na recuperação dos movimentos. Embora ainda não exista previsão para a conclusão de todas as etapas, os pesquisadores destacam a possibilidade de, no futuro, ampliar o tratamento também para pessoas com lesões mais antigas, chamadas de crônicas, dependendo dos resultados obtidos nas próximas fases.

