MWM MWMW MWM MWMWMW, 15 de Fevereiro
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A intensificação dos conflitos no Oriente Médio passou a gerar preocupação no setor agrícola brasileiro, especialmente entre produtores rurais que dependem de fertilizantes importados para manter a produtividade das lavouras. Uma parcela significativa desses insumos, sobretudo os fertilizantes nitrogenados derivados do petróleo, como a ureia, tem origem ou passa por países daquela região. Diante desse cenário de instabilidade internacional, o tema da segurança no abastecimento ganhou relevância no Brasil, reacendendo o debate sobre a dependência externa de insumos estratégicos para o agronegócio. Nesse contexto, a retomada da produção nacional surge como alternativa para reduzir vulnerabilidades e garantir maior estabilidade ao setor produtivo.



No município de Laranjeiras, localizado a cerca de 20 quilômetros de Aracaju, no estado de Sergipe, funciona uma das poucas unidades industriais de produção de ureia no país. A fábrica opera de forma contínua, funcionando 24 horas por dia, sete dias por semana, com produção média de aproximadamente 1.650 toneladas diárias do fertilizante. O funcionamento é mantido por equipes em regime de revezamento, o que garante a operação ininterrupta e a saída diária de cerca de 60 caminhões carregados do produto. Após um período de quase dois anos de paralisação, a unidade retomou suas atividades em um contexto de mudança na política energética e industrial do país. No passado recente, a redução de investimentos e a desativação de unidades produtivas, especialmente a partir de 2018, levaram o Brasil a ampliar fortemente sua dependência de importações de ureia.

Mais recentemente, houve uma reorientação estratégica com a reativação de plantas industriais pela Petrobras, incluindo a unidade de Sergipe e outra localizada em Camaçari, na Bahia. Juntas, essas estruturas possuem capacidade para atender cerca de 12% da demanda nacional de ureia, contribuindo para reduzir parcialmente a dependência externa. O fertilizante é essencial para culturas como milho, arroz, café, cana-de-açúcar e trigo, pois fornece nitrogênio, um dos principais nutrientes para o desenvolvimento das plantas. Em 2024, o consumo nacional foi estimado em cerca de 8 milhões de toneladas, das quais aproximadamente 88% foram importadas. Com a retomada das fábricas no Nordeste e a previsão de novas unidades no Paraná e em Mato Grosso do Sul, espera-se ampliar a produção interna e fortalecer o abastecimento do mercado, especialmente em um momento em que cerca de um terço da ureia importada provém de regiões afetadas por conflitos internacionais.