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No Brasil, o cenário da violência contra a mulher atingiu níveis alarmantes no ano passado, com o registro de quatro feminicídios por dia e cerca de dez tentativas diárias de assassinato, configurando os maiores índices da série histórica. Esses números evidenciam a gravidade e a persistência desse tipo de crime, mesmo após mudanças legais e o aumento das penas. Em muitos casos, as vítimas são mortas por parceiros ou ex-parceiros, em contextos marcados por violência doméstica e relações abusivas que, muitas vezes, não eram percebidas ou denunciadas a tempo pelas famílias ou pela própria vítima.
Entre os casos que ilustram essa realidade está o de Ana Carolina Pereira Santana, morta a facadas pelo namorado em fevereiro do ano passado. Sua mãe, Nathalie, relata a dificuldade de compreender a brutalidade do crime e a ausência de sinais claros de perigo antes do ocorrido, o que reforça a sensação de impotência diante da violência. No total, o país registrou 1.470 feminicídios no período, média de quatro casos por dia, além de 3.702 tentativas de feminicídio, cerca de dez por dia. Esses dados ainda podem aumentar, já que alguns estados ainda não concluíram a alimentação completa dos sistemas oficiais. Desde 2015, o feminicídio foi incluído como qualificadora do homicídio e, posteriormente, passou a ser tratado como crime autônomo, com penas que podem chegar a 40 anos de prisão, a mais alta da legislação penal brasileira.
Apesar do endurecimento das leis, especialistas e autoridades apontam que a violência não tem sido reduzida de forma significativa, indicando falhas na prevenção e na proteção das vítimas. Representantes da área de segurança pública defendem o fortalecimento das delegacias e o treinamento adequado dos profissionais para acolhimento das mulheres em situação de risco, de modo a incentivar a denúncia e permitir a aplicação efetiva de medidas protetivas. Já especialistas em políticas públicas ressaltam a necessidade de ações mais imediatas e eficientes, como o cumprimento rigoroso de ordens judiciais de afastamento do agressor, uso de tornozeleira eletrônica e apreensão de armas de fogo quando houver risco. Também destacam a importância de ampliar e integrar a rede de proteção, garantindo que o sistema funcione de forma articulada para prevenir novos casos e salvar vidas em situação de vulnerabilidade.

