MWM MWMW MWM MWMWMW, 20 de Janeiro
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Estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que cerca de seis em cada dez moradores de favelas vivem em áreas sem qualquer arborização, o que corresponde a mais de 10 milhões de pessoas em todo o país. Essa ausência de árvores contribui diretamente para o aumento da sensação de calor nessas regiões, especialmente durante o verão. No Complexo de Favelas da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, moradores relatam que as altas temperaturas tornam o dia a dia ainda mais difícil, exigindo estratégias improvisadas de proteção, como o uso de chuveiros improvisados nas ruas, consumo constante de água e a utilização de sombrinhas e guarda-sóis para tentar reduzir a exposição ao sol. Dentro das residências, o calor também é intenso, com relatos de ambientes abafados mesmo com o uso de ventiladores.



Pesquisas realizadas pela ONG Redes da Maré apontam que o calor nas comunidades não é sentido da mesma forma que em outras áreas da cidade. O levantamento realizado no complexo identificou a formação de ilhas de calor em diferentes pontos da comunidade, onde a temperatura pode ser significativamente mais alta do que em áreas próximas, como o Aeroporto Internacional do Galeão, localizado a poucos quilômetros de distância. Em alguns casos, a diferença chega a até seis graus Celsius. Essa variação é explicada por fatores como a alta densidade de construções, ruas estreitas, verticalização das moradias e a baixa presença de áreas verdes, o que dificulta a circulação do ar e favorece o acúmulo de calor. Para aprofundar a compreensão do problema, novas medições estão sendo instaladas dentro das residências e em diferentes pontos da comunidade, com o objetivo de monitorar tanto a temperatura quanto a qualidade do ar ao longo do tempo.

Especialistas destacam que as favelas são resultado de processos históricos de exclusão urbana e que, no contexto das mudanças climáticas, essas desigualdades se tornam ainda mais evidentes. A falta de infraestrutura adequada, como arborização, áreas de lazer e ventilação natural, somada a problemas recorrentes como interrupções no fornecimento de água e energia elétrica, agrava a vulnerabilidade dessas populações durante períodos de calor extremo. Em diversos relatos, moradores afirmam que já esperam, a cada verão, episódios de altas temperaturas que podem ultrapassar os 40 graus Celsius dentro das comunidades. Autoridades municipais afirmam que têm realizado ações de plantio de árvores nativas em áreas de maior vulnerabilidade, como forma de reduzir os impactos do calor, mas especialistas e organizações sociais ressaltam que essas iniciativas ainda são insuficientes diante da dimensão do problema e da necessidade de políticas estruturais mais amplas.