MWM MWMW MWM MWMWMW, 26 de Janeiro
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Um estudo inédito realizado por pesquisadores de diferentes instituições ambientais mapeou, pela primeira vez, a extensão das áreas úmidas da Amazônia brasileira, revelando um cenário que chama atenção pela sua relevância ecológica e pela falta de proteção adequada. Essas áreas incluem ecossistemas variados, como manguezais, florestas de igapó, florestas de várzea, além de açudes naturais e lagoas artificiais, todos fundamentais para o equilíbrio ambiental da região. No total, foram identificados cerca de 77 milhões de hectares de áreas úmidas na Amazônia, o equivalente a uma extensão aproximadamente três vezes maior que o território do estado de São Paulo. No entanto, o dado mais preocupante apontado pelo levantamento é que quase metade dessa área não está inserida em unidades de conservação ou territórios oficialmente protegidos, o que aumenta sua vulnerabilidade diante de pressões externas.



Esses ecossistemas desempenham papel essencial na manutenção da biodiversidade e no funcionamento dos ciclos naturais da floresta amazônica, mas já vêm sendo impactados de forma significativa pelas mudanças climáticas e pela ação humana. Enquanto o aumento do nível do mar ameaça as áreas úmidas costeiras, as florestas alagadas sofrem com períodos de seca mais frequentes e intensos, alterando profundamente sua dinâmica natural. As áreas de várzea, em especial, abrigam uma das maiores diversidades biológicas do planeta, com mais de mil espécies de árvores adaptadas à inundação periódica. Ao mesmo tempo, são regiões cada vez mais pressionadas pelo desmatamento e pela ocupação desordenada. A degradação desses ambientes também afeta diretamente comunidades tradicionais que dependem desses recursos para sua sobrevivência, além de comprometer atividades econômicas sustentáveis, como o extrativismo do açaí, importante produto da bioeconomia amazônica.

O estudo também aponta que fatores como a construção de barragens, o avanço do desmatamento e o uso de pequenos açudes para abastecimento de gado já ameaçam mais de um milhão de hectares dessas áreas úmidas, intensificando o processo de degradação ambiental. Os pesquisadores alertam que esses ecossistemas podem estar próximos de um ponto de não retorno, situação em que perdem a capacidade de regeneração natural, o que traria impactos irreversíveis para a floresta e para o clima global. Diante desse cenário, o levantamento defende a necessidade urgente de criação e ampliação de políticas públicas voltadas à conservação, ao manejo sustentável e ao monitoramento contínuo dessas áreas. Também reforça a importância de integrar de forma mais efetiva as áreas úmidas nas estratégias ambientais e climáticas do Brasil, garantindo maior proteção e reconhecimento do seu papel estratégico para a manutenção da biodiversidade e do equilíbrio ecológico da Amazônia.