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Criminosos têm aplicado golpes cada vez mais sofisticados ao se passarem por advogados e utilizarem dados reais obtidos em processos judiciais de acesso público. A estratégia consiste em ganhar a confiança das vítimas, muitas delas envolvidas em ações que se arrastam por anos na Justiça, criando um senso de urgência e credibilidade. Em um dos casos relatados, Alisson acreditou estar em contato com a advogada responsável por seu processo após receber uma mensagem e participar de uma videochamada solicitada pelos golpistas. Durante a conversa, os criminosos pediram que ele compartilhasse a tela do celular e acessasse o aplicativo bancário, o que permitiu a transferência indevida de todo o saldo disponível em sua conta. Situações semelhantes vêm sendo registradas em diferentes regiões do país, com prejuízos financeiros significativos.
Investigações e levantamentos de entidades da advocacia indicam que esse tipo de fraude tem crescido com o uso de informações verdadeiras extraídas de processos judiciais públicos. Em um escritório na cidade de Palmas, estima-se que cerca de 30 clientes tenham sido vítimas desse golpe, com perdas que ultrapassam R$ 300 mil. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) desenvolveu ferramentas para tentar conter esse avanço, como uma plataforma de verificação que permite ao cidadão confirmar se o contato realmente pertence ao advogado informado. Em apenas oito meses de funcionamento, o sistema registrou mais de 7 mil tentativas de falsificação de identidade, demonstrando a dimensão do problema. Além disso, o Cadastro Nacional dos Advogados (CNA) permite consultar dados oficiais e contatos legítimos dos profissionais em todo o país.
Especialistas e representantes da OAB alertam que os golpistas utilizam técnicas de persuasão cada vez mais elaboradas, simulando com precisão o comportamento de escritórios de advocacia e de seus profissionais. Em muitos casos, eles chegam a afirmar falsamente que há valores a receber mediante pagamento de taxas, alvarás ou procedimentos inexistentes. Diante desse cenário, a recomendação é que nenhuma orientação recebida por meios digitais ou telefônicos seja aceita sem verificação prévia. O procedimento correto é sempre confirmar a identidade do profissional por canais oficiais, buscando contato direto com o escritório ou utilizando plataformas institucionais. Também é orientado desconfiar de pedidos de acesso remoto a dispositivos, compartilhamento de tela ou transferências bancárias, uma vez que advogados legítimos não solicitam esse tipo de ação.

