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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, esteve no Brasil e se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Rio de Janeiro, em um contexto de aproximação entre União Europeia e países do Mercosul. Durante o encontro, foi defendida a possibilidade de ampliar a cooperação em projetos relacionados às chamadas terras raras, um grupo de minerais estratégicos essenciais para diversas tecnologias modernas. Esse tema ganhou destaque internacional devido ao aumento expressivo da demanda global por esses recursos, o que provocou forte valorização dos preços no último ano. Além da procura crescente, o mercado também é influenciado por restrições de exportação adotadas por alguns países e pela concentração da produção mundial, fatores que contribuem para a disputa geopolítica em torno desses minerais.
As terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos utilizados em uma ampla variedade de produtos tecnológicos, especialmente na área de energia renovável e eletrônicos. Esses minerais estão presentes, por exemplo, em placas solares, motores elétricos, turbinas eólicas, celulares, computadores, equipamentos hospitalares e eletrodomésticos. No setor de energia solar, estudos indicam avanços significativos de eficiência nas placas fotovoltaicas ao longo dos anos, em parte devido ao uso de compostos que incluem terras raras, o que permite melhor aproveitamento da luz solar. Entre os elementos mais valorizados estão o neodímio e o térbio, cujo preço registrou forte aumento recente no mercado internacional, refletindo sua importância estratégica para a indústria global.
Nesse cenário, o Brasil é apontado como um país com grande potencial de desenvolvimento, por possuir a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, que atualmente domina toda a cadeia produtiva, desde a extração até o processamento e fabricação de componentes industriais. Especialistas destacam que a baixa exploração e a limitação tecnológica ainda impedem uma maior participação brasileira nesse mercado, mas também representam uma oportunidade de desenvolvimento econômico e tecnológico. Projetos nacionais já estudam a produção de ímãs permanentes, fundamentais para diversos setores industriais, com objetivo de reduzir a dependência externa e estimular a criação de uma cadeia produtiva interna. A expectativa é que, com investimentos e transferência de tecnologia, o país possa deixar de ser apenas exportador de matéria-prima e passar a integrar de forma mais ativa a produção de tecnologias de ponta ligadas à transição energética e à inovação industrial.

