MWM MWMW MWM MWMWMW, 21 de Janeiro
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Os orelhões, que marcaram a história das telecomunicações no Brasil, estão em processo de desativação após mais de cinco décadas de uso. Segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), ainda existem mais de 37 mil desses aparelhos espalhados pelo país, tanto em funcionamento quanto fora de operação. No entanto, com a popularização dos telefones celulares e a ampliação do acesso à comunicação móvel, esses equipamentos deixaram de ser essenciais no cotidiano da população. A previsão atual é de que a retirada gradual dos orelhões ocorra a partir deste ano, com permanência apenas em locais onde ainda não há cobertura adequada de telefonia móvel, podendo se estender até 2028 em situações específicas.



Instalados no Brasil a partir de 1972, os orelhões representaram um importante avanço no acesso à comunicação pública, especialmente em um período em que as linhas telefônicas residenciais eram escassas e de alto custo. Na época, o uso desses equipamentos permitia que grande parte da população tivesse acesso a ligações telefônicas, mesmo sem possuir telefone em casa. O sistema funcionava inicialmente com fichas e, posteriormente, com cartões telefônicos, sendo amplamente utilizado em espaços públicos como ruas, praças e rodoviárias. Com o passar dos anos, relatos de usuários mostram que os orelhões também fizeram parte de experiências cotidianas marcantes, como conversas familiares, ligações românticas e situações do dia a dia que hoje foram substituídas pelos dispositivos móveis.

Com a evolução tecnológica, os orelhões foram gradualmente perdendo espaço e se tornando raros nas cidades brasileiras. A Anatel estabelece que sua permanência será mantida apenas em regiões onde não houver alternativas de comunicação, uma vez que o serviço de telefonia móvel já supre a demanda na maior parte do território nacional. Para muitas pessoas, no entanto, o fim desses equipamentos representa o encerramento de um ciclo importante da história da comunicação no país, marcado por lembranças afetivas e por uma forma de interação que exigia filas, planejamento e o uso de moedas, fichas ou cartões. Assim, embora considerados obsoletos do ponto de vista tecnológico, os orelhões permanecem como símbolo de uma era em que o acesso à comunicação era mais limitado e, ao mesmo tempo, mais coletivo.