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Representantes do Mercosul e da União Europeia preveem assinar, no Paraguai, um acordo de livre comércio que vem sendo negociado há anos e que promete ampliar as relações comerciais entre os dois blocos. No Brasil, setores exportadores avaliam com expectativa os impactos da medida, considerando tanto as oportunidades quanto os desafios envolvidos. Um dos segmentos mais otimistas é o de frutas, que enxerga potencial de expansão no mercado europeu, atualmente o principal destino das exportações brasileiras nesse setor. A redução ou eliminação de tarifas tende a tornar os produtos nacionais mais competitivos em relação a países que já possuem vantagens comerciais. No caso da uva, por exemplo, a tarifa de 11% será zerada assim que o acordo entrar em vigor, o que pode facilitar o acesso ao mercado europeu e estimular o crescimento das exportações.
Outras frutas, como abacate, limão, melão e melancia, também deverão se beneficiar da redução gradual de impostos, embora em prazos mais longos. A maçã, por exemplo, terá um período de até dez anos para que a tarifa seja completamente eliminada. Especialistas apontam que a retirada dessas barreiras tarifárias pode corrigir uma limitação histórica enfrentada pelo Brasil, que, apesar de sua elevada capacidade produtiva, ainda exporta menos do que poderia. Além disso, o acordo abre possibilidades para o agronegócio em um nível mais amplo, incentivando a produção e exportação de itens com maior valor agregado, como queijos, azeites e bebidas destiladas. A expectativa é que o país possa diversificar sua pauta exportadora, inspirando-se em modelos europeus que valorizam marcas, certificações de origem e padrões de qualidade.
O setor industrial também identifica oportunidades relevantes com a implementação do acordo, especialmente no que se refere à cooperação tecnológica e à modernização produtiva. Na indústria têxtil, por exemplo, a redução de tarifas sobre a importação de máquinas e equipamentos pode diminuir custos e estimular investimentos. Como grande parte dos investimentos do setor está ligada à aquisição de tecnologia estrangeira, a facilitação desse processo tende a aumentar a produtividade e a competitividade das empresas brasileiras. Dessa forma, o acordo não se limita ao aumento das exportações, mas também pode impulsionar a inovação e o desenvolvimento industrial no país, contribuindo para um crescimento econômico mais sustentável e integrado ao mercado internacional.

