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Na data de hoje, que marca o Dia Mundial de Combate ao Câncer, as instituições de saúde reforçam alertas sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) chama a atenção para uma projeção preocupante: a tendência de aumento significativo dos casos de câncer no Brasil nos próximos anos. Esse cenário é ilustrado pela história de Luciana, que inicialmente não atribuiu grande importância a sintomas como prisão de ventre, controlada por uso frequente de laxantes, sem buscar avaliação médica. Com o tempo, porém, o quadro evoluiu para uma emergência, quando ela passou a apresentar incapacidade de evacuar e fortes dores, levando-a a procurar atendimento hospitalar. Exames iniciais identificaram uma obstrução intestinal, que resultou em cirurgia de urgência. Somente nesse procedimento foi descoberto um tumor, posteriormente confirmado por biópsia como maligno, caracterizando câncer no intestino. A partir desse diagnóstico, Luciana iniciou tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com quimioterapia administrada por via oral e venosa.
O caso individual reflete uma tendência mais ampla apontada pelas estimativas do Inca, que prevê cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil no período entre 2026 e 2028. Desse total, aproximadamente 263 mil correspondem ao câncer de pele não melanoma, considerado o tipo mais frequente e com alta possibilidade de remissão quando diagnosticado precocemente. Os demais casos, estimados em cerca de 518 mil por ano, envolvem diferentes tipos de tumores. O instituto também destaca a preocupação com a mortalidade, já que o câncer pode se tornar a principal causa de morte por doenças no país, com crescimento estimado de 70% entre mulheres e 60% entre homens, ultrapassando as doenças cardiovasculares em curto prazo. Entre os homens, os tipos mais comuns devem continuar sendo câncer de próstata, seguido por câncer de cólon e reto, traqueia, brônquios e pulmão, estômago e boca. Entre as mulheres, os casos mais frequentes seguem sendo câncer de mama, seguido por cólon e reto, colo do útero, traqueia, brônquios e pulmão, além de tireoide. Segundo o Inca, esse aumento está relacionado a fatores como hábitos de vida pouco saudáveis, incluindo consumo de álcool, tabagismo, alimentação inadequada e sedentarismo, além do envelhecimento populacional acelerado e da urbanização. Também contribuem para esse cenário a ampliação da capacidade de diagnóstico e a melhoria dos sistemas de registro, o que aumenta a detecção dos casos.
Diante desse contexto, as estimativas do Inca são utilizadas como base para o planejamento de ações do Ministério da Saúde voltadas à prevenção e ao enfrentamento do câncer em todo o território nacional. O desafio para o SUS envolve especialmente a ampliação do diagnóstico precoce, a redução do tempo entre a identificação da doença e o início do tratamento, além da superação das desigualdades regionais no acesso aos serviços de saúde. A partir dos dados disponíveis, o poder público pode direcionar campanhas específicas para tipos de câncer mais preveníveis e controláveis em determinadas regiões, fortalecendo estratégias de prevenção. Após sua experiência com a doença, Luciana passou a compartilhar sua história como forma de conscientização, destacando a importância da atenção aos sinais do corpo, da esperança e da valorização do atendimento oferecido pela rede pública de saúde. As estimativas elaboradas pelo Inca são baseadas em diferentes fontes oficiais, como o Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde e registros hospitalares de câncer provenientes de instituições públicas e privadas em todo o país, permitindo um panorama mais preciso da evolução da doença no Brasil.

