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As chuvas registradas em janeiro trouxeram algum alívio pontual para o sistema de abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo, mas não foram suficientes para reverter o quadro de preocupação que se arrasta há meses. Apesar de leve elevação nos níveis dos reservatórios do sistema integrado, as autoridades e especialistas reforçam que a situação ainda exige atenção e uso consciente da água por parte da população. Segundo o plano de contingência em vigor, essa pequena recuperação não altera as medidas já adotadas, como a redução diária da pressão da água por cerca de 10 horas, estratégia mantida para evitar perdas na rede e garantir o abastecimento mínimo em diferentes regiões da cidade.
Entre os principais mananciais que abastecem a região, alguns apresentaram melhora, como a represa de Guarapiranga, que encerrou janeiro com cerca de 70% de sua capacidade após chuvas acima da média. No entanto, o cenário geral ainda é considerado preocupante. O sistema começou o ano com níveis médios de apenas 26,2% e, mesmo com as precipitações, terminou janeiro abaixo de 40% da capacidade total. Em quatro dos sete reservatórios, o volume de chuva ficou abaixo do esperado. O Sistema Cantareira, um dos mais importantes, fechou o mês com aproximadamente 22,7% de sua capacidade, enquanto o Alto Tietê registrou cerca de 30,5%. A Sabesp, responsável pelo abastecimento, mantém a redução de pressão da água desde agosto do ano anterior, o que ajuda a diminuir perdas, mas também provoca dificuldades em áreas mais altas, onde a água chega com menor força ou até deixa de chegar temporariamente.
Os impactos dessa situação já são sentidos por moradores e comerciantes, que relatam interrupções no fornecimento e aumento de custos com alternativas emergenciais, como caminhões-pipa. Especialistas alertam que a tendência de chuvas abaixo da média nos últimos anos indica que a recuperação completa dos reservatórios não deve ocorrer rapidamente, mesmo nos próximos meses. Para eles, além das condições climáticas, é necessário ampliar investimentos estruturais no sistema hídrico, incluindo interligação de mananciais, redução de perdas na distribuição e modernização das redes. A Sabesp afirma que está investindo bilhões de reais em obras de segurança hídrica e já realizou melhorias importantes, como a modernização de equipamentos e a ampliação da captação de água no sistema Alto Tietê. Ainda assim, o cenário reforça a necessidade de planejamento contínuo para garantir maior resiliência no abastecimento da maior região metropolitana do país.

