MWM MWMW MWM MWMWMW, 16 de Fevereiro
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A produção de leite no estado de Goiás tem exigido dos pecuaristas a adoção de diferentes estratégias para reduzir custos e enfrentar a queda no preço pago ao produtor. Em uma propriedade localizada em Mairipotaba, no sul do estado, um rebanho de aproximadamente 540 vacas em lactação é mantido em sistema de pastagem, com ordenha média diária de cerca de 7 mil litros de leite. Apesar da escala de produção, o produtor enfrentou forte redução na rentabilidade nos últimos meses, especialmente no final do ano anterior, quando o litro do leite chegou a ser comercializado por R$ 1,90, valor significativamente inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Diante desse cenário, foram realizadas mudanças na gestão do rebanho, incluindo a venda de animais menos produtivos, o que reduziu a produção, mas também diminuiu parte dos custos operacionais.



Entre as principais medidas adotadas para conter despesas está a reformulação da alimentação do gado. O produtor passou a utilizar subprodutos da indústria alimentícia, como o bagaço de cevada oriundo da produção de cerveja, que é reaproveitado após passar por um processo de hidratação e preparo para consumo animal. Esse material é considerado rico em proteína e contribui para reduzir o custo da dieta das vacas. Além disso, o manejo do pasto foi intensificado, especialmente em períodos de chuva, quando a pastagem apresenta maior crescimento e qualidade. Em outra propriedade de menor extensão, com cerca de nove hectares, também foram implementadas mudanças estruturais, como a divisão do pasto em piquetes para melhor aproveitamento da área e a inclusão de casca de soja na alimentação, um insumo mais barato que a ração tradicional, contribuindo para a redução dos gastos mensais.

Especialistas do setor agropecuário apontam que a crise enfrentada pelos produtores de leite em Goiás está relacionada a dois fatores principais: a redução do poder de compra da população, que impacta o consumo de derivados lácteos, e o aumento das importações de produtos do setor. Segundo dados da cadeia produtiva, no último ano o Brasil importou volumes expressivos de leite e derivados de países como Uruguai e Argentina, o que pressionou ainda mais os preços internos. Representantes do setor defendem a necessidade de recuperação da demanda interna e de maior controle das importações para garantir equilíbrio ao mercado. Após um período prolongado de queda, estudos recentes indicam uma leve recuperação nos preços pagos ao produtor, embora ainda em patamar inferior ao registrado no ano anterior, o que sinaliza uma melhora gradual, mas ainda insuficiente para reverter completamente o cenário de dificuldades enfrentado pelos pecuaristas.