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A pesquisa “Sonhos da Favela” revela um panorama amplo das aspirações e desafios enfrentados por moradores de comunidades em diferentes regiões do Brasil. O estudo, realizado pelo instituto Data Favela com mais de quatro mil entrevistados, aponta que os principais sonhos dessas populações estão ligados à conquista da casa própria, à melhoria das condições de vida da família, ao acesso a emprego formal e ao crescimento profissional. Entre as aspirações profissionais, o desejo de empreender se destaca como a principal meta, sendo visto como um caminho de autonomia financeira e realização pessoal. Em muitos relatos, o empreendedorismo aparece como alternativa diante das dificuldades de inserção no mercado de trabalho formal e como forma de transformação da realidade local.
Um dos exemplos apresentados é o de Grécia, que começou a trabalhar ainda na adolescência e, aos 19 anos, iniciou um pequeno negócio de buffet para festas infantis, evoluindo posteriormente para a atuação como produtora de eventos. Sua trajetória ilustra a busca por independência financeira e desenvolvimento pessoal por meio do empreendedorismo. Além disso, ela também atua como empreendedora social em sua comunidade, localizada na Rocinha, no Rio de Janeiro, oferecendo capacitação em áreas como maquiagem, design de sobrancelhas e cuidados com cabelo, contribuindo para que outras pessoas possam gerar renda própria. O levantamento também evidencia desigualdades estruturais: metade dos entrevistados afirma que a cor da pele influencia diretamente nas oportunidades de trabalho, enquanto apenas 25% possuem emprego formal com carteira assinada, 34% atuam na informalidade e 17% estão desempregados. A maioria, cerca de seis em cada dez, vive com renda de até um salário mínimo.
Além das questões econômicas, a pesquisa aponta que os moradores das favelas reconhecem suas comunidades como espaços de acolhimento, mas destacam a necessidade de melhorias em áreas essenciais como saneamento básico, educação, saúde e transporte. Para o futuro, os principais desejos estão relacionados à conquista de moradias melhores, acesso a serviços de saúde de qualidade e oportunidades educacionais, sendo que parte dos entrevistados considera a entrada dos filhos na universidade uma prioridade. No campo da segurança pública, as opiniões sobre a presença policial são divididas, com percepções que variam entre aumento da segurança, ausência de impacto ou sensação de medo. Já em relação às mulheres, os principais desafios apontados são a violência doméstica, o feminicídio e as dificuldades de acesso ao mercado de trabalho. Diante desse cenário, os entrevistados defendem políticas públicas voltadas à geração de emprego, promoção da autonomia financeira feminina e ações educativas de combate ao machismo, reforçando a importância de iniciativas integradas que ampliem oportunidades e reduzam desigualdades sociais.

