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Uma pesquisa coordenada pela UNESCO sobre o uso de tecnologias da informação e comunicação no Brasil revela que a presença do celular entre a população idosa é ampla e crescente. Segundo o levantamento realizado no ano anterior, aproximadamente 74% das pessoas com 60 anos ou mais possuem telefone celular, e cerca de 81% utilizam o aparelho para acessar a internet. Além disso, o estudo indica que 89% dos idosos conectados acessam a rede diariamente ou quase todos os dias, evidenciando uma forte incorporação da tecnologia ao cotidiano dessa faixa etária. Atividades como assistir vídeos, ouvir música e navegar em redes sociais estão entre os usos mais comuns, sendo realizadas por quatro em cada dez idosos entrevistados.
Apesar dos benefícios associados à inclusão digital, como maior autonomia, comunicação facilitada e fortalecimento de vínculos sociais, especialistas alertam para os riscos do uso excessivo da tecnologia. Profissionais da área da saúde destacam que a internet pode contribuir positivamente para reduzir o isolamento social, especialmente entre idosos que vivem sozinhos, mas também pode levar a situações de dependência e impactos cognitivos quando utilizada de forma descontrolada. Pesquisadores que atuam no acompanhamento de dependências tecnológicas apontam que tem sido observado um aumento na busca por tratamento relacionado ao uso problemático da internet entre idosos, muitas vezes associado a quadros de solidão, depressão ou ansiedade.
Em relatos observados no cotidiano, o celular aparece como ferramenta de convivência e entretenimento, mas também como elemento que exige limites claros de uso. Em atividades coletivas, por exemplo, há momentos em que o aparelho é temporariamente deixado de lado para preservar a interação social direta, enquanto em casa ele se torna uma companhia constante, especialmente para consumo de vídeos e redes sociais. Profissionais da saúde ressaltam ainda a importância da participação da família na observação de comportamentos que possam indicar uso excessivo ou prejudicial, como endividamento por compras online impulsivas ou isolamento. Em contrapartida, há casos de idosos que conseguem equilibrar o uso da tecnologia com uma vida social ativa e independente, utilizando o celular como ferramenta de comunicação com familiares, inclusive por meio de mensagens e chamadas de vídeo, demonstrando que o impacto da tecnologia depende diretamente da forma como é incorporada ao cotidiano.

