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A colheita de arroz no Rio Grande do Sul ocorre em um cenário de preocupação para os produtores rurais, que precisam acompanhar simultaneamente o comportamento dos preços dos fertilizantes e do óleo diesel. Na região central do estado, especialmente no município de Santa Maria, agricultores relatam dificuldades tanto com a redução da produtividade quanto com o aumento dos custos de produção. Em algumas áreas já colhidas, foi registrada quebra na safra em comparação ao ciclo anterior, influenciada principalmente por condições climáticas adversas no início do ano, como períodos de frio intenso que afetaram o desenvolvimento das lavouras.
Além das perdas relacionadas ao clima, os produtores também enfrentam um cenário econômico desfavorável, com o preço da saca de arroz abaixo do nível considerado necessário para cobrir os custos de produção e garantir rentabilidade. Enquanto a estimativa ideal seria de aproximadamente R$ 70 por saca, o valor praticado na região gira em torno de R$ 52, o que pressiona a atividade agrícola. Paralelamente, surgiu um novo problema relacionado ao abastecimento de óleo diesel, combustível essencial para o funcionamento das máquinas utilizadas na colheita. Agricultores relatam dificuldades para encontrar o produto, além de aumentos de preço e incertezas sobre a continuidade do fornecimento durante o período de colheita.
O diesel utilizado no campo é distribuído por empresas autorizadas, conhecidas como TRRs, responsáveis por levar o combustível até propriedades rurais e regiões de difícil acesso. Segundo relatos do setor, parte dessas empresas teria reduzido ou cancelado entregas, alegando falta de disponibilidade no mercado, o que gerou preocupação entre os produtores quanto à possibilidade de interrupção das atividades agrícolas. A Agência Nacional do Petróleo informou que os estoques estão regulares e que irá investigar as distribuidoras sobre a recusa de pedidos e possíveis aumentos de preços. Enquanto isso, produtores mantêm estoques limitados em suas propriedades, suficientes para poucos dias de operação, o que aumenta o risco de paralisação das colheitas. A Petrobras, por sua vez, reajustou recentemente o preço do diesel nas refinarias após um período prolongado de estabilidade, ao mesmo tempo em que medidas tributárias foram anunciadas para amenizar o impacto ao consumidor final.

