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O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia tem como principal objetivo ampliar o fluxo de comércio entre os dois blocos, promovendo a redução gradual de tarifas sobre produtos industrializados e agrícolas. A expectativa é que os países europeus aumentem a exportação de bens industrializados para a América do Sul, enquanto os países do Mercosul ampliem a venda de produtos como calçados, frutas e itens agropecuários. Um dos pontos centrais do acordo é a diminuição progressiva de impostos de importação: veículos europeus, por exemplo, atualmente taxados em 35%, deverão ter essa cobrança reduzida até chegar a zero no prazo de 15 anos. Já produtos como calçados do Mercosul, que hoje enfrentam tarifas entre 3% e 7% na Europa, terão essas taxas eliminadas em até quatro anos. Em alguns casos específicos, como o da uva, a retirada da tarifa de 14% será imediata após a entrada em vigor do acordo. A tendência é que essa redução de custos impacte diretamente o consumidor final, que poderá acessar uma maior variedade de produtos a preços mais baixos, tanto no mercado europeu quanto no sul-americano.
As negociações para a concretização desse acordo tiveram início em 1999, durante uma cúpula realizada no Rio de Janeiro, e se estenderam por mais de duas décadas, marcadas por avanços e interrupções. Em 2004, uma proposta inicial não foi aprovada, levando à suspensão das tratativas, que só foram retomadas em 2010, em um encontro realizado em Madrid. Apesar da retomada, o processo avançou lentamente até que, em 2019, um acordo político foi anunciado em Bruxelas. No entanto, divergências relacionadas a questões ambientais, especialmente sobre o desmatamento no Brasil, impediram o progresso imediato. Somente em dezembro de 2024 o acordo foi oficialmente anunciado, passando por revisão jurídica ao longo de 2025. O tratado abrange mais de 90% dos produtos comercializados entre os blocos, que juntos representam um mercado de cerca de 740 milhões de pessoas. A proposta do livre comércio é gerar benefícios mútuos, embora haja preocupações por parte dos europeus quanto ao aumento das exportações sul-americanas, o que pode levar à adoção de limites mais rígidos.
Para lidar com essas preocupações, a União Europeia estabeleceu um mecanismo de salvaguarda, que funciona como um gatilho para revisão do acordo caso o volume de importações do Mercosul ultrapasse determinados limites. Esse instrumento foi criado como forma de reduzir a resistência interna, especialmente de agricultores europeus que temem prejuízos com a concorrência externa. Por outro lado, representantes do setor agropecuário brasileiro demonstram preocupação de que essas salvaguardas possam atuar como barreiras comerciais disfarçadas, prejudicando o acesso aos mercados europeus. Ainda assim, há uma expectativa positiva em relação aos benefícios do acordo, incluindo o aumento das exportações, atração de investimentos e cooperação em áreas como ciência e tecnologia. Mesmo após sua assinatura, o acordo ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e, posteriormente, pelos parlamentos de cada país membro, processo que pode levar anos e não possui prazo definido para conclusão.

