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O comércio brasileiro registrou crescimento pelo nono ano consecutivo em 2025, com alta de 1,6% nas vendas, segundo dados do setor. Apesar de positivo, o resultado foi mais moderado em comparação ao ano anterior, indicando um ritmo mais lento de expansão e alinhado às expectativas do mercado, que já previa um período de desaceleração. Com isso, o nível de atividade do varejo retornou a patamares semelhantes aos de 2023, refletindo um cenário de menor dinamismo econômico. Economistas apontam que esse desempenho ocorreu em um contexto de juros elevados, no maior nível desde 2006, o que encareceu o crédito e limitou o consumo das famílias, mesmo diante de sinais positivos no mercado de trabalho e na renda.
Entre os setores que mais contribuíram para o crescimento do comércio, destacam-se os de equipamentos de informática, eletrônicos e comunicação, impulsionados pelo aumento da demanda por produtos tecnológicos em um mundo cada vez mais digitalizado. Também tiveram desempenho relevante os segmentos de móveis e eletrodomésticos, além de artigos farmacêuticos e de perfumaria, que apresentaram forte procura ao longo do ano. A valorização do real frente ao dólar favoreceu a entrada de produtos importados, contribuindo para o aquecimento de parte do varejo. Em contrapartida, o único segmento com retração foi o de livros, revistas e papelaria, indicando mudanças no comportamento de consumo da população.
Apesar do crescimento geral, o desempenho do varejo em 2025 foi considerado mais tímido do que em anos anteriores, com resultados mensais próximos da estabilidade na maior parte do período. O melhor desempenho ocorreu em novembro, impulsionado por promoções como a Black Friday, que anteciparam compras típicas de fim de ano. Já em dezembro, o setor registrou queda, encerrando o ano com resultado negativo no último mês. Especialistas avaliam que, embora haja sinais positivos no mercado de trabalho e na renda, esses fatores têm sido neutralizados pelos efeitos da inflação e dos juros elevados, o que mantém o consumo sob pressão. A tendência apontada é de continuidade de um cenário desafiador, com crescimento ainda limitado e recuperação gradual prevista para o próximo ciclo econômico.

